Portugal foi a primeira nação européia a explorar o mar em busca de especiarias e o império global conseqüente. A busca começou já em 1419, quando o infante Dom Henrique, terceiro estabeleceu sua corte em Sagres, uma formação no extremo sul de Portugal.
Conhecido como infante Dom Henrique, o Navegador, raramente esteve no mar, mas inspirou outros a conquistar o oceano. Navios portugueses enfrentaram obstáculos tão surpreendentes, tão envolvidos pela ignorância e superstição, que apenas marinheiros extraordinariamente confiantes e hábeis ousavam se aventurar no mar Oceano, como o oceano Atlântico era conhecido.
O blog Energia e Grandes Navegações discute temas relacionados a questões energéticas - especialmente petróleo - bem como assuntos ligados à história das grandes navegações.
sábado, 30 de julho de 2011
A importância do gás russo para a Europa e a necessidade de desenvolver a produção russa na Península de Yamal, a Península do fim do mundo
A maior parte dos campos produtores de gás natural na Rússia já estão na fase de declínio severo da produção, obrigando as autoridades a buscar forma de colocar em produção, reservatórios já descobertos na zona do Ártico– mas ainda não desenvolvidos em termos de produção.
Na Península de Yamal, no extremo norte da Federação, encontra-se a maior reserva de gás do mundo – algumas estimativas indicam que tais reservas seriam suficientes para sozinhas suprirem toda a demanda de gás do mundo, por pelo menos uma década. Todavia, as reservas estão localizadas no que os próprios russos nominaram como o “fim do mundo” que é o significado na língua local para Yamal. A região é composta de áreas alagadiças congeladas praticamente todo o ano, na parte mais fria da Sibéria Ártica, a milhares de quilômetros de distância do mercado consumidor. A operadora francesa Total e a russa Novatek têm planos para desenvolver uma planta de LGN para liquefação e transporte do gás, em 2015.
Moscou tem como preocupação permanente a possibilidade de perder a influência geopolítica que exerce sobre a Europa, com a entrega de gás através da imensa rede de gasodutos que alimentam os lares e indústrias européias, com gás russo.
A demanda européia por gás tende a aumentar, especialmente pela decisão alemã de fechar suas usinas nucleares e Moscou não pretende perder esta imensa influência e poder de persuasão que um fornecedor maciço de energia é capaz de exercer. É neste cenário de declínio da produção das reservas russas – a maior parte ainda desenvolvida na era soviética, que entra a importância das reservas de Yamal. A península possui reservas estimadas entre 30 a 50 trilhões de pés cúbicos de gás, sendo capaz de abastecer a Europa por toda uma geração.
O problema na Península de Yamal, bem como qualquer outro reservatório na região do Ártico – é que o esforço exploratório encara enormes desafios ambientais e tecnológicos. A tundra da região ou está congelada ou é uma terreno pantanoso.
A distância da região até o centro de distribuição mais próximo demandaria a construção de um gasoduto de cerca de 3000 km, 500 dos quais por terreno alagadiço e instável. Estima-se que a construção custaria entre 250 e 400 bilhões de dólares.
Neste cenário, a opção pela liquefação do gás – LNG – embora cara, surge como a possibilidade de viabilizar a produção, bem como buscar mercados fora da Europa, tendo em vista que a região possui acesso oceânico. De fato, a viabilidade dos projetos de LGN ao redor do mundo baseia se na premissa de transporte marítimo. Aí temos mais um problema climático da região, pois o mar ao redor da Península congela durante o inverno, precisando de soluções para armazenagem, ou a garantia de disponibilidade de uma frota quebra-gelos.
De qualquer forma, Moscou seguramente desenvolverá os campos de gás de Yamal, visto que o futuro da Rússia está intrinsecamente ligado à habilidade de se manter como principal fornecedor de gás para a Eurásia, posição que certamente será ameaçada sem as reservas da Península do fim do mundo.
Na Península de Yamal, no extremo norte da Federação, encontra-se a maior reserva de gás do mundo – algumas estimativas indicam que tais reservas seriam suficientes para sozinhas suprirem toda a demanda de gás do mundo, por pelo menos uma década. Todavia, as reservas estão localizadas no que os próprios russos nominaram como o “fim do mundo” que é o significado na língua local para Yamal. A região é composta de áreas alagadiças congeladas praticamente todo o ano, na parte mais fria da Sibéria Ártica, a milhares de quilômetros de distância do mercado consumidor. A operadora francesa Total e a russa Novatek têm planos para desenvolver uma planta de LGN para liquefação e transporte do gás, em 2015.
Moscou tem como preocupação permanente a possibilidade de perder a influência geopolítica que exerce sobre a Europa, com a entrega de gás através da imensa rede de gasodutos que alimentam os lares e indústrias européias, com gás russo.
O problema na Península de Yamal, bem como qualquer outro reservatório na região do Ártico – é que o esforço exploratório encara enormes desafios ambientais e tecnológicos. A tundra da região ou está congelada ou é uma terreno pantanoso.
A distância da região até o centro de distribuição mais próximo demandaria a construção de um gasoduto de cerca de 3000 km, 500 dos quais por terreno alagadiço e instável. Estima-se que a construção custaria entre 250 e 400 bilhões de dólares.Neste cenário, a opção pela liquefação do gás – LNG – embora cara, surge como a possibilidade de viabilizar a produção, bem como buscar mercados fora da Europa, tendo em vista que a região possui acesso oceânico. De fato, a viabilidade dos projetos de LGN ao redor do mundo baseia se na premissa de transporte marítimo. Aí temos mais um problema climático da região, pois o mar ao redor da Península congela durante o inverno, precisando de soluções para armazenagem, ou a garantia de disponibilidade de uma frota quebra-gelos.
De qualquer forma, Moscou seguramente desenvolverá os campos de gás de Yamal, visto que o futuro da Rússia está intrinsecamente ligado à habilidade de se manter como principal fornecedor de gás para a Eurásia, posição que certamente será ameaçada sem as reservas da Península do fim do mundo.
domingo, 24 de julho de 2011
Aproximadamente 70% dos reatores nucleares japoneses permanecem fechados para inspeções
Aproximadamente 70% dos reatores nucleares japoneses permanecem fechados para inspeções. Este percentual corresponde a 37 plantas fechadas. Até o momento não existe previsão de quando estas inspeções estarão concluídas – na verdade, os critérios de inspeção têm sido rotineiramente modificados, com a incorporação de requisitos mais severos, o que se agrava a dificuldade de prever quando (se é que algum dia) esta situação estará normalizada. O impacto desta situação somente pode ser mais bem dimensionado quando lembramos que no início deste ano, os planos japoneses consideravam ter uma matriz energética com 53% da energia elétrica gerada por usinas nucleares.
A passagem pelo Cabo bojador em 1434
Quando as viagens ao longo da costa da África se iniciaram, por volta de 1419, o que era considerado o limite mais ao sul do oceano Atlântico e da costa África Ocidental situava-se na região do Cabo Bojador, exatamente abaixo dos 27° de latitude Norte. O Cabo projeta-se quarenta quilômetros do continente para o oeste. O baixios existentes ao seu redor, a freqüência do nevoeiro e da neblina ao largo, a dificuldade de voltar para o norte por causa dos ventos predominantes, tudo parecia confirmar a crença popular que a partir daquele ponto não havia possibilidade de retorno. Doze ou quinze tentativas infrutíferas foram feitas, antes que um dos navios do príncipe Henrique por fim contornasse o cabo em 1434, quebrando, assim, não só a barreira física, mas principalmente a barreira psicológica que até então impedira qualquer viagem ao longo da costa da África Ocidental rumo ao Sul. Essa foi, talvez, a maior realização do infante dom Henrique, e só foi executada devido à determinação paciente e à disposição de gastar enormes quantias de dinheiro em viagens de que não se poderia esperar compensação imediata
sábado, 2 de julho de 2011
Um revés na produção de shale gas na França
O Senado francês votou nesta semana um projeto – anteriormente aprovado no Congresso - que baniu o uso das atuais técnicas de fracking para produção de shale gas. A medida tem pouco efeito prático, tendo em vista as poucas ocorrências de shale gas em território francês e de certa forma reforça a opção predominante do mercado francês pelo emprego da energia nuclear.
As Grandes Navegações partiram de uma Europa pobre em direção a um Ásia mais rica
Um aspecto pouco divulgado das motivações das Grandes Navegações refere-se à diferença econômica entre a Europa e as nações asiáticas banhadas pelo Índico. Paradoxalmente, a pobreza favorecia os europeus, obrigados pela escassez de oportunidades econômicas em seus países a procurá-las em outra parte. A propósito, vale lembrar que as explorações partiram da periferia de uma periferia - pois a Europa era a borda da Eurásia e a borda da Europa era a península Ibérica.
Um fluxo no caminho inverso, da Ásia para a Europa era inimaginável para os navegantes do Índico, que para se aventurar por mares hostis, precisariam de um forte incentivo econômico - que não existia - pois o Índico era uma área de tamanha atividade comercial e de tanta riqueza que não fazia sentido para seus povos buscar mercados ou fornecedores em outros lugares.
Quando os primeiros mercadores europeus alcançaram o Índico, chegaram a ser desprezados por sua pobreza e de uma forma geral, enfrentavam dificuldades para vender os produtos de suas terras de origem
Um fluxo no caminho inverso, da Ásia para a Europa era inimaginável para os navegantes do Índico, que para se aventurar por mares hostis, precisariam de um forte incentivo econômico - que não existia - pois o Índico era uma área de tamanha atividade comercial e de tanta riqueza que não fazia sentido para seus povos buscar mercados ou fornecedores em outros lugares.
Quando os primeiros mercadores europeus alcançaram o Índico, chegaram a ser desprezados por sua pobreza e de uma forma geral, enfrentavam dificuldades para vender os produtos de suas terras de origem
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Enorme depósito de shale gas descoberto na Polônia.
A viagem de Vasco da Gama realmente merece a fama que alcançou...
Ela representou um avanço na globalização do comércio. Criou um cenário de encontros culturais sem precedentes. Abriu uma nova rota para o intercâmbio cultural entre os dois extremos do planeta.
Possibilitou que navios da Europa participassem do lucrativo comércio que florescia no oceano Índico.
Adam Smith a classificou como um dos mais importantes acontecimentos da história.
Ela pode não ter mudado muito as coisas para os povos e as potências do oceano Índico, que não se deram conta dos pobres bárbaros chegados de Portugal, mas transformou a Europa, ao pôr os europeus em contato mais estreito com o magnífico Oriente de civilizações mais antigas e ricas.
Possibilitou que navios da Europa participassem do lucrativo comércio que florescia no oceano Índico.
Adam Smith a classificou como um dos mais importantes acontecimentos da história.
Ela pode não ter mudado muito as coisas para os povos e as potências do oceano Índico, que não se deram conta dos pobres bárbaros chegados de Portugal, mas transformou a Europa, ao pôr os europeus em contato mais estreito com o magnífico Oriente de civilizações mais antigas e ricas.
Os planos para banir a energia nuclear na Alemanha – inacreditavelmente – continuam a progredir
O Congresso alemão aprovou ontem em um folgada votação - 513 votos a favor e 79 contra – o plano de fechar todas as usinas nucleares até 2022.
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