O blog Energia e Grandes Navegações discute temas relacionados a questões energéticas - especialmente petróleo - bem como assuntos ligados à história das grandes navegações.
sábado, 4 de junho de 2011
As inovações que impulsionaram as navegações portuguesas
Mais de uma dezena de grandes inovações portuguesas nos séculos XV e XVI sustentaram a criação do primeiro império global. Caravelas e naus e poder de fogo naval; novos conceitos de geoestratégia e novas ferramentas de marear juntaram-se ao longo de quase século e meio para dar corpo a um sistema global.
As cidades que deram as costas para seus rios e baías - seus principais recursos naturais
Barcelona soube aproveitar, no início da Era dos Descobrimentos, o potencial marítimo para ali fazer florescer suas instalações de construção naval, onde se localizavam os estaleiros de Drassanes, fundados em meados do século XII e onde foram construídos os galeões que fizeram de Barcelona uma potência marítima.
Todavia, ao longo de boa parte de sua história recente – anterior aos Jogos Olímpicos, de 1992 – preferiu virar-se em direção ao continente, como que tentando escapar da atração inevitável do mar. Felizmente, no início dos anos 90, suas praias foram revitalizadas e o porto , hoje um dos principais centros logísticos do Mediterrâneo, aumentou sua capacidade extraordinariamente. Hoje das colinas de Montjuic, o olhar é muito mais seduzido pelo cais de navios de passageiros, para as construções à beira mar e mesmo para o porto comercial do que é atraído para as obras arquitetônicas terra à dentro. Caso típico de vocação restabelecida.
A história do Brasil está indissociavelmente ligada a vários fatos na Baía de Guanabara, símbolo maior da cidade do Rio de Janeiro. Aqui tivemos, por exemplo, a chegada de Dom João VI, em 1808, para na visão de muitos estudiosos, de fato, iniciar a história do Brasil, como país. Mesmo nos seus melhores momentos, o porto do Rio de Janeiro, nunca foi uma referência positiva para a cidade. As cidades da Baixada Fluminense situadas nas margens da baía, nunca puderam “enxergar” na baía - que se debruçava sobre suas portas, nenhuma das vantagens de tê-la como recurso, exceto talvez para o despejo de esgoto. Integração com os rios da região, nem pensar. As cidades nunca resolveram utilizar a baía como fonte de soluções conjuntas. Em um ato mais concreto, isolou-se a cidade do Rio de Janeiro da baía, primeiramente com os armazéns do cais do porto e mais recentemente, com o elevado da Perimetral. A cidade volta-se para o oceano, na Zona Sul, mas cresce rastejando em direção contrária à da baía.
Do ponto de vista logístico falta associação entre o potencial de transferência de cargas por balsas, a partir, por exemplo, de Duque de Caxias, São Gonçalo para o porto. Pela perspectiva urbanística, falta permitir que a cidade, desde o seu Centro até o Caju, tenha a Baía de Guanabara integrada à sua paisagem.
E então porque falar de Macaé, quando se fazem comparações com Barcelona e o Rio de Janeiro? Porque a cidade, a menos de 180 km do Rio de Janeiro, é – e ainda será por um bom tempo – o maior pólo de apoio à produção de petróleo offshore no Brasil. Sua história começa como uma cidade pesqueira, que pela visão estratégica de José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho - bispo de Olinda, nascido em Campos dos Goytacazes - trazida a público na obra "Ensaio Econômico sobre o Comércio de Portugal e suas Colônias", em 1794, e encampada pelo Visconde de Araruama, em 1836, constrói a maior obra de engenharia do século XIX no Brasil, o canal Macaé-Campos.
Empreitada singular, cavada por escravos, entre 1844 e 1861, aproveitando as lagoas da região, para permitir o escoamento da produção de açúcar do Norte Fluminense, através do Porto de Imbetiba, no coração de Macaé. O exemplo perfeito de região que sabia aproveitar sua geografia – unindo, baía, rios e lagos – para criar sua identidade. Com a criação da “Estrada de Ferro Macaé e Campos”, em 1874 o canal, bem como o porto, perdeu sua função principal de escoar a produção de açúcar da região, incicando a partir daquela época seu lento e gradual abandono.
Com o advento do petróleo na região, no início dos anos 70, já no século, XX, o porto passa a ser utilizado para apoio às operações na Bacia de Campos A partir daquele momento a história de virar as costas para a geografia, no caso o rio Macaé, se repete. Nem sombra de se integrar o rio Macaé e seus canais à solução de transporte para as plataformas. Mais uma cidade olhando para o oceano e crescendo de forma a se afastar de seu rio, de sua baía, cheios de oportunidades para seu progresso.O exemplo de Barcelona, que começa sua história olhando para sua baía; a perde de vista e novamente a encontra e se reconciliam, faz com que tenhamos esperança de ainda vermos a baía de Guanabara e o rio Macaé como marcos orgulhosos e integradores de suas regiões.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
A logística para apoio às operações de produção de petróleo offshore - o sábio aproveitamento dos recursos geográficos das regiões costeiras
Recentemente, tive a oportunidade de conhecer a região da Lousiania, nos Estados Unidos, onde está localizada a maior parte das instalações de apoio às operações offshore no Golfo do México. Região com o litoral recortado por pântanos e canais, que durante muitos anos prosperou com a indústria pesqueira, mas que soube se adaptar à indústria do petróleo, aproveitando o potencial de seus canais para abrigar portos, estaleiros e entrepostos logísticos. As reflexões sobre esta capacidade de aproveitar os recursos naturais para encontrar soluções logísticas, me levaram a escrever o próximo post....
A gestão do conhecimento nas Grandes Navegações
Apesar das fortes raízes empíricas da Expansão Portuguesa, do seu incrementalismo pragmático e do seu forte improviso, seus líderes concretizaram uma estratégia de gestão do conhecimento – como chamaríamos hoje – que permitiu a criação de um "capital intelectual" do país : um primeiro "think tank" virado para a Expansão sistemática, uma onda de publicações científicas originais, uma revolução na cartografia e na ciência da construção naval.
O futuro da matriz energética do Japão
Como já era esperado, O Primeiro Ministro japonês, Naoto Kan, declarou, em meados de maio, que o país está na prática jogando no lixo seus planos recentes de aumentar a participação da energia nuclear de 30%, para 50%, até 2030. O informe veio acompanhado da notícia de que os futuros planos de longo prazo serão concebidos da "estaca zero", tendo como diretriz a criação de tecnologias que permitam a incorporação maciça de fontes renováveis.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
As grandess navegações em busca de especiarias e seus efeitos na culinária mundial
Por conta de sua navegação navegadora e do longo convívio com o Oriente e a África, os portugueses se tornaram grandes divulgadores e multiplicadores de plantas e de formas de comer em todos os lugares onde estiveram. Por onde passaram plantaram mudas e experimentaram comidas.
Trouxeram para o Brasil o coqueiro, que muita gente ainda julga ser uma planta natural do nosso litoral. O coqueiro desembarcou no Brasil em 1553. As mudas vieram de Cabo Verde, uma das ilhas atlânticas transformadas, pelos lusos, em hortos experimentais de plantas asiáticas. Alastraram-se, principalmente, da Bahia ao Ceará. Vem de longe, a lenda de que os cocos vieram boiando da África à Bahia, empurrados pelas ondas. Todavia, foi obra do português, esse grande mercador, também plantas.
A cozinha do reino traduzia, com riqueza de detalhes, a essa época, o espírito aventureiro, curioso e aberto dos portugueses. Ao contrário de árabes, judeus ou indianos, com restrições alimentares devido a preceitos religiosos, os portugueses não tinham fronteiras para paladar, eram seduzidos pelas variedades da mesa e assim ajudaram a formar o perfil diversificado da culinária brasileira.
Trouxeram para o Brasil o coqueiro, que muita gente ainda julga ser uma planta natural do nosso litoral. O coqueiro desembarcou no Brasil em 1553. As mudas vieram de Cabo Verde, uma das ilhas atlânticas transformadas, pelos lusos, em hortos experimentais de plantas asiáticas. Alastraram-se, principalmente, da Bahia ao Ceará. Vem de longe, a lenda de que os cocos vieram boiando da África à Bahia, empurrados pelas ondas. Todavia, foi obra do português, esse grande mercador, também plantas.
A cozinha do reino traduzia, com riqueza de detalhes, a essa época, o espírito aventureiro, curioso e aberto dos portugueses. Ao contrário de árabes, judeus ou indianos, com restrições alimentares devido a preceitos religiosos, os portugueses não tinham fronteiras para paladar, eram seduzidos pelas variedades da mesa e assim ajudaram a formar o perfil diversificado da culinária brasileira.
Energia elétrica - aumento nos preços pagos pelo Brasil ao Paraguai, pelo excedente de energia em Itaipu
O governo brasileiro obteve, em meados de maio, aprovação do Senado para aumentar o preço pago pelo excesso de energia gerado em Itaipu, e não utilizado pelo Paraguai e exportado para o Brasil. Trata-se um aumento generoso no valor pago. Coisa de país rico.... Passamos o valor do pagamento de US$ 120 milhões, anuais, para US$ 360 milhões.
Assinar:
Postagens (Atom)


