O blog Energia e Grandes Navegações discute temas relacionados a questões energéticas - especialmente petróleo - bem como assuntos ligados à história das grandes navegações.
domingo, 19 de junho de 2011
Portugal como reexportador de commodities e produtos manufaturados
Uma característica marcante da Expansão portuguesa foi a condição portuguesa de reexportador de commodities e produtos manufaturados nos dois sentidos - Europa-Oriente - procurando garantir rendas, sem criação de valor ou acumulação de capital financeiro.
A eletrificação dos automóveis...
Não tenho dúvidas de que, mesmo ainda usando o motor a combustão interna, quanto mais sistemas elétricos incorporarmos aos futuros carros - inclusive nos sistemas de controle dos motores – atingiremos maiores níveis de eficiência energética.
Todavia, a “eletrificação” dos automóveis certamente - além do aumento da eficiência - também criará produtos que hoje nos são pouco familiares, como por exemplo, suspensões inteligentes - para substituir os atuais conjuntos molas-amortecedores, que são basicamente absorvedores passivos de choques - com o uso da combinação de suspensões ativas acionadas eletricamente, combinadas com sensores que “enxergariam” à frente. Desta forma, a suspensão se prepararia para o momento exato em que o pneu fosse passar por um buraco na pista, levantando e abaixando a roda no milésimo de segundo exato evitando solavancos.
Todavia, a “eletrificação” dos automóveis certamente - além do aumento da eficiência - também criará produtos que hoje nos são pouco familiares, como por exemplo, suspensões inteligentes - para substituir os atuais conjuntos molas-amortecedores, que são basicamente absorvedores passivos de choques - com o uso da combinação de suspensões ativas acionadas eletricamente, combinadas com sensores que “enxergariam” à frente. Desta forma, a suspensão se prepararia para o momento exato em que o pneu fosse passar por um buraco na pista, levantando e abaixando a roda no milésimo de segundo exato evitando solavancos.
domingo, 12 de junho de 2011
Fabricação modularizada de embarcações - mais uma das soluções logísticas da época dos Descobrimentos
Durante a Expansão marítima, os portugueses implantaram a tecnologia de pré-fabricação de navios. As embarcações eram montadas na forma de kits padronizados, na Ribeira das Naus, em Lisboa, que podiam ser posteriormente montados em apenas 2 semanas, em estaleiros menores, mesmo do outro lado do oceano. A mesma técnica de kits era aplicada a instalações prediais de terra, como por exemplo, ao complexo de fortes (fortificação, armazéns e capela), como aconteceu com o de São Jorge da Mina , no golfo da Guiné. Outra inovação foi a introdução do conceito de revisão geral das embarcações, que levava a desmantelar uma nau ao fim de 3 ou 4 viagens e substituir todos os componentes em mau estado. Ou seja, o desenvolvimento de soluções de logística originais foi fundamental para o sucesso das viagens.
Os planos da Alemanha de banir a energia nuclear e seus impactos na Europa
No final de maio, o governo alemão anunciou que os 7 reatores que haviam sido fechados logo após a divulgação do acidente na usina de Fukushima, no Japão, nunca mais serão religados. Na verdade a notícia ainda é mais dramática: Todo o parque nuclear alemão será desativado até 2022. O plano alemão é ter, a partir de 2022, toda a energia - que era gerada pelas usinas nucleares - sendo criada a partir de fontes renováveis. Considerando que hoje, cerca de um terço da energia elétrica consumida na Alemanha é gerado em usinas nucleares e que a eletricidade gerada nestas usinas custa cerca de 1/3 do preço daquela gerada em usinas eólicas e cerca da vinte vezes menos do que a eletricidade gerada a partir da energia solar, temos uma equação que beira a impossibilidade: Somente uma década para substituir 1/3 de toda a matriz de geração de energia elétrica em um país como a Alemanha.
Este quadro cria a necessidade de pensar na relação da Alemanha com alguns países vizinhos que seriam parceiros chaves neste processo.
Primeiramente, a França, que no pós-guerra tem empreendido esforços para manter a Alemanha sob pressão, de forma a criar um cenário no qual a França seja tão importante para a Alemanha - do ponto de vista de investimentos e suprimento de itens críticos – que impeça qualquer possibilidade alemã de enxergá-la como inimiga. A França tem uma inegável vantagem - neste momento de plebiscitos (Itália e Japão) para verificar o interesse das populações em manter a operação de usinas nucleares – pois sua população não demonstra – diferente da alemã – resistência ao uso de energia nuclear. Neste contexto, a França aproveitará para instalar tantas usinas quanto possível, para garantir sua capacidade de protagonista no fornecimento de energia elétrica para Alemanha.
O segundo país que surge como player importante a partir da decisão alemã é a Polônia. O país fica geoestrategicamente espremido entre a Alemanha e a Rússia e não pode competir em nenhum aspecto com ambos. Embora o carvão seja hoje em dia um combustível politicamente incorreto, que vem sendo banido da Europa nos últimos 20 anos, a Polônia o usa em escala maciça, sendo responsável por cerca de 90% da eletricidade do país. Como uma usina a carvão é muito mais barata e rápida de construir do que uma nuclear, ironicamente é a Polônia com este combustível fora de moda - o carvão é que tem as maiores condições de viabilizar os planos ecologicamente corretos da Alemanha.
O próximo país ligado a esta questão é a Rússia, que há décadas tenta estabelecer relações estratégicas de longo prazo com a Alemanha. Uma união entre as duas potências teria a capacidade de desestabilizar todo o jogo de forças na Europa. Do ponto de vista econômico, os russos vêem a Alemanha como seu mais importante parceiro comercial e sua maior fonte de investimentos externos. A capacidade da Rússia de influenciar a matriz energética alemã se chama “Nord Stream pipeline” – um gasoduto ligando diretamente a Rússia à Alemanha (by-passando boa parte dos vizinhos) – que deve já entrar em operação este ano, sendo capaz de transportar 55 bilhões de m3 por ano – quantidade de gás suficiente para substituir metade da energia gerada pelas usinas nucleares alemãs – bastando à Alemanha instalar as usinas termo-elétricas a gás, pois o combustível já estará lá.
Este quadro cria a necessidade de pensar na relação da Alemanha com alguns países vizinhos que seriam parceiros chaves neste processo.
Primeiramente, a França, que no pós-guerra tem empreendido esforços para manter a Alemanha sob pressão, de forma a criar um cenário no qual a França seja tão importante para a Alemanha - do ponto de vista de investimentos e suprimento de itens críticos – que impeça qualquer possibilidade alemã de enxergá-la como inimiga. A França tem uma inegável vantagem - neste momento de plebiscitos (Itália e Japão) para verificar o interesse das populações em manter a operação de usinas nucleares – pois sua população não demonstra – diferente da alemã – resistência ao uso de energia nuclear. Neste contexto, a França aproveitará para instalar tantas usinas quanto possível, para garantir sua capacidade de protagonista no fornecimento de energia elétrica para Alemanha.
O segundo país que surge como player importante a partir da decisão alemã é a Polônia. O país fica geoestrategicamente espremido entre a Alemanha e a Rússia e não pode competir em nenhum aspecto com ambos. Embora o carvão seja hoje em dia um combustível politicamente incorreto, que vem sendo banido da Europa nos últimos 20 anos, a Polônia o usa em escala maciça, sendo responsável por cerca de 90% da eletricidade do país. Como uma usina a carvão é muito mais barata e rápida de construir do que uma nuclear, ironicamente é a Polônia com este combustível fora de moda - o carvão é que tem as maiores condições de viabilizar os planos ecologicamente corretos da Alemanha.
O próximo país ligado a esta questão é a Rússia, que há décadas tenta estabelecer relações estratégicas de longo prazo com a Alemanha. Uma união entre as duas potências teria a capacidade de desestabilizar todo o jogo de forças na Europa. Do ponto de vista econômico, os russos vêem a Alemanha como seu mais importante parceiro comercial e sua maior fonte de investimentos externos. A capacidade da Rússia de influenciar a matriz energética alemã se chama “Nord Stream pipeline” – um gasoduto ligando diretamente a Rússia à Alemanha (by-passando boa parte dos vizinhos) – que deve já entrar em operação este ano, sendo capaz de transportar 55 bilhões de m3 por ano – quantidade de gás suficiente para substituir metade da energia gerada pelas usinas nucleares alemãs – bastando à Alemanha instalar as usinas termo-elétricas a gás, pois o combustível já estará lá.Ou seja, a decisão alemã embora praticamente inexeqüível no prazo proposto, mudará o equilíbrio de forças entre os países europeus.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Inovações técnicas críticas na Expansão Marítima : as caravelas
Uma das inovações técnicas decisivas, para o arranque da expansão portuguesa na sua fase de exploração do Atlântico e da costa oeste africana, foi a introdução da nova caravela. Pensa-se que a nova caravela seja uma descendente de velhos barcos de pesca usados pelos árabes ao sul de Portugal, no Algarve. Muitos autores concordam que esse tipo de embarcação surgiu por volta de 1420 e que o seu uso em larga escala tenha sido iniciado em 1441. As suas características de construção neste período inicial eram : menos do que 80 toneladas de peso (em média pelas 50), cerca de 20 a 25 metros de comprimento (com uma relação comprimento/largura da ordem de 3,5:1), construída com o costado liso e com um único castelo de popa, muito leve e fina em suas linhas, deslocava muito pouca água e tinha o fundo achatado. Este conjunto de características tornavam-na adequada para o contexto da exploração offshore, situação para a qual são necessárias embarcações que não encalhem nos recifes e bancos de areia dos litorais em exploração.
Decisão da OPEP de não alterar os níveis de produção - nem para mais, nem para menos - nos países membros
A OPEP não consegui consenso em suas recentes reuniões para definir os níveis de produção dos países membros. Segundo seu secretário geral , Abdullah al-Badri, isso significa na prática que nenhuma alteração é prevista para os próximos 3 meses.
Gaudi, a Catedral da Sagrada Família e o gerenciamento de escopo nos projetos...
O que vocês vêem nestas 2 fotos ??

A Catedral da Sagrada Família, obra prima de Gaudi e orgulho da cidade de Barcelona, permite uma interpretação sobre a importância da gestão de escopo de projetos – mais especialmente sobre o gerenciamento das mudanças. A obra é considerada como a igreja mais original de toda a Europa, sendo repleta de símbolos inspirados na natureza. Em 1893, um ano após o início de sua construção, a tarefa de concluí-la foi entregue a Gaudi, que modificou tudo, improvisando à medida que progredia. Tornou-se a obra da sua vida. Quando o arquiteto morreu, somente uma das torres, a fachada da Natividade, estava pronta. Posteriormente, muitas outras foram concluídas segundo as últimas concepções de Gaudi. Depois da Guerra Civil Espanhola, o trabalho foi retomado e continua até hoje.
Mesmo com toda a genialidade de Gaudi, é curioso que, passado mais de um século, ainda se trate de uma obra inacabada.
Tome cuidado: Por mais tentadoras que algumas pequenas alterações em seus projetos possam parecer inofensivas; mesmo que incorporem soluções originais que não foram pensadas no início; e mesmo ainda que sejam capazes de proporcionar um resultado final mais valioso. Sempre fique atento para não se deixar levar pela síndrome de Gaudi e abraçar uma obra que, mesmo que futuramente possa ser reconhecida por sua ousadia e percalços, seja também lembrada por ainda estar inacabada.
É bom lembrarmos que temos os exemplos de duas obras excepcionais, que são as mais visitadas em todo o mundo e que foram entregues no prazo e dentro do que foi previsto inicialmente :
A Monalisa, obra prima de Da Vinci, que tanto como Gaudi - e também os nossos modernos gerentes de projetos – trabalhava por encomenda. O gênio renascentista pintou e entregou sua obra prima em um verão de 1489. O segundo exemplo é a Torre Eiffel que se tornou um ícone mundial da França e uma das estruturas mais reconhecidas no mundo, que tem o nome de seu projetista, o engenheiro Gustave Eiffel. A torre foi construída entre 1887 e 1889, como o arco de entrada da Exposição Universal de 1889. Sendo entregue no prazo e sem alterações no projeto.... Escopo bem definido é isso aí!
A Catedral da Sagrada Família, obra prima de Gaudi e orgulho da cidade de Barcelona, permite uma interpretação sobre a importância da gestão de escopo de projetos – mais especialmente sobre o gerenciamento das mudanças. A obra é considerada como a igreja mais original de toda a Europa, sendo repleta de símbolos inspirados na natureza. Em 1893, um ano após o início de sua construção, a tarefa de concluí-la foi entregue a Gaudi, que modificou tudo, improvisando à medida que progredia. Tornou-se a obra da sua vida. Quando o arquiteto morreu, somente uma das torres, a fachada da Natividade, estava pronta. Posteriormente, muitas outras foram concluídas segundo as últimas concepções de Gaudi. Depois da Guerra Civil Espanhola, o trabalho foi retomado e continua até hoje.
Mesmo com toda a genialidade de Gaudi, é curioso que, passado mais de um século, ainda se trate de uma obra inacabada.
Tome cuidado: Por mais tentadoras que algumas pequenas alterações em seus projetos possam parecer inofensivas; mesmo que incorporem soluções originais que não foram pensadas no início; e mesmo ainda que sejam capazes de proporcionar um resultado final mais valioso. Sempre fique atento para não se deixar levar pela síndrome de Gaudi e abraçar uma obra que, mesmo que futuramente possa ser reconhecida por sua ousadia e percalços, seja também lembrada por ainda estar inacabada.
É bom lembrarmos que temos os exemplos de duas obras excepcionais, que são as mais visitadas em todo o mundo e que foram entregues no prazo e dentro do que foi previsto inicialmente :
A Monalisa, obra prima de Da Vinci, que tanto como Gaudi - e também os nossos modernos gerentes de projetos – trabalhava por encomenda. O gênio renascentista pintou e entregou sua obra prima em um verão de 1489. O segundo exemplo é a Torre Eiffel que se tornou um ícone mundial da França e uma das estruturas mais reconhecidas no mundo, que tem o nome de seu projetista, o engenheiro Gustave Eiffel. A torre foi construída entre 1887 e 1889, como o arco de entrada da Exposição Universal de 1889. Sendo entregue no prazo e sem alterações no projeto.... Escopo bem definido é isso aí!
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