O blog Energia e Grandes Navegações discute temas relacionados a questões energéticas - especialmente petróleo - bem como assuntos ligados à história das grandes navegações.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
As grandes navegações na visão de Adam Smith
O grande economista escocês Adam Smith, no seu "Um Inquérito sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações "(1776), fez uma declaração que passou a ser de citação obrigatória em todos os tratados de geopolítica. A passagem do Cabo da Boa Esperança por Bartolomeu Dias - em 1488 - e a chegada às Antilhas por Cristóvão Colombo - em 1492 - foram, segundo ele, "os maiores e mais importantes acontecimentos da História".
Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! - Camões
Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantas noivas ficaram por casar Para que fosse nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quere passar além do Bojador Tem que passar alem da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nelle é que espelhou o céu.
A hidroelétrica de Belo Monte, a segurança energética e obras eleitoreiras
Embora não seja a especialidade do blog, é inevitável que comentemos os últimos acontecimentos referentes ao leilão promovido pelo governo para determinar o “vencedor” para a construção da hidroelétrica de Belo Monte. Para um país que precisa continuar a crescer é de espantar que haja tantos opositores à continuidade da matriz de geração de energia elétrica no Brasil, a partir do potencial hídrico de seus rios. Há algum tempo, o movimento ambientalista internacional deixou de implicar com a construção de usinas nucleares - notadamente a partir da crescente evidência do efeito do CO2 no aquecimento do planeta ( vale lembrar que semana passada, na Finlândia, foi autorizada a construção de 2 novas usinas nucleares, sem que um piquete sequer fosse colocado na rua para protestar...). Sobraram desta forma, poucos alvos fáceis para os panfletos ecológicos. Os combustíveis fósseis são alvos grandes, mas com um enorme poder de reação e lobby. Já as hidroelétricas....
Belo Monte é fundamental para a segurança energética do Norte brasileiro e deve ser mantido como um projeto que – dentro das práticas modernas de controle e manejo das áreas a serem inundadas e respeito associado a um tratamento digno aos moradores das áreas atingidas (índios e não-índios) – nos poupará de “apagões” no futuro. Porém, concordar com a forma açodada como foi conduzido o leilão, com a criação de 2 consórcios pára - governamental, que viabilizassem a assinatura de contrato$ a tempo de servir de vitrine para a campanha de eleição da candidata do governo, é bem diferente.
Ter o governo como empreiteiro e licenciador é uma história que normalmente degrada o meio ambiente, empobrece as soluções técnicas, enriquece empreiteiros e alimenta campanha$ eleitorai$. Uma história sem final feliz para o país.
Belo Monte é fundamental para a segurança energética do Norte brasileiro e deve ser mantido como um projeto que – dentro das práticas modernas de controle e manejo das áreas a serem inundadas e respeito associado a um tratamento digno aos moradores das áreas atingidas (índios e não-índios) – nos poupará de “apagões” no futuro. Porém, concordar com a forma açodada como foi conduzido o leilão, com a criação de 2 consórcios pára - governamental, que viabilizassem a assinatura de contrato$ a tempo de servir de vitrine para a campanha de eleição da candidata do governo, é bem diferente.
Ter o governo como empreiteiro e licenciador é uma história que normalmente degrada o meio ambiente, empobrece as soluções técnicas, enriquece empreiteiros e alimenta campanha$ eleitorai$. Uma história sem final feliz para o país.
domingo, 18 de abril de 2010
A excelência dos trabalhos de base...
Portugal não teria logrado êxito em suas incursões marítimas se não houvesse implementado um magnífico trabalho de apoio em terra, preparando artesãos e desenvolvendo técnicas ( e ambiente) de construção, disponibilizando fontes de insumos fundamentais, inclusive madeira para a construção das embarcações.
Novos rumos nas sanções contra o Irã e o Brasil continua do lado errado da calçada ( o lado com a casca de banana...)
Temendo sanções do governo americano ( leia-se restrição a créditos de bancos americanos, restrições de contratar companhias americanas, etc.), a Rússia – através da Lukoil – bem como a Malasia – com a Petronas - suspenderam a venda de gasolina para o Irã ( é isso mesmo... O Irã importa gasolina...). Enquanto isso, foi estampada em boa parte do mundo a foto do Ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge entregando uma camisa da seleção brasileira para o premier do apocalipse Mahmoud Ahmadinejad... Não é para ficarmos surpresos se tivermos dificuldades daqui a pouco...
Os EUA anunciaram, no final de março, plano para abrir novas áreas para a exploração de petróleo e gás natural
O presidente Barack Obama anunciou no final de março, a abertura de novas áreas do Golfo do México e – após uma proibição de mais de 20 anos – liberou a costa da Virgina para a produção de gás. Tratam-se dos novos planos da administração Obama para aumentar a independência do petróleo árabe, bem como uma busca por fontes de energia mais limpas para a matriz energética americana
domingo, 11 de abril de 2010
A nova “guerra” – pelo petróleo – do Atlântico Sul próximo às Malvinas...
Várias petrolíferas, que hoje já operam na Argentina passarão a trabalhar juntas na busca por petróleo nas águas do Atlântico próximas das Malvinas ( não são consideradas como águas territoriais das Malvinas, pois aí já seria guerra mesmo...) – veja post de 14/03/10. As companhias – YPF, Petrobras, Bridas e pasmem, British Petroleum – contrataram o navio sonda Stena Drimax, para perfurar dois poços exploratórios a cerca de 200 milhas de Rio Grande.
A "cópia criativa" e o surgimento das caravelas
Os Portugueses do século XV distinguiram-se dos navegadores e estrangeiros por adotar na Expansão no Mar Oceano (o Atlântico) um conjunto de inovações mundiais a partir do re-design de tecnologias existentes. Essa arte da “cópia criativa” ainda hoje é considerada uma capacidade portuguesa, muito bem empregada pela indústria brasileira de petróleo. A caravela é o caso mais emblemático. Este tipo de embarcação foi o meio através do qual se quebrou, pela primeira vez, o isolamento existente entre a Europa e o resto do mundo. Suas enormes potencialidades comerciais fizeram com que, desde o início, a Ordem de Cristo tenha protegido esta nova tecnologia da espionagem estrangeira. Um enorme sigilo rodeou a sua construção. E foi assim que se criou a lenda de que Sagres era o centro desta atividade, quando na verdade, o mais provável é que o verdadeiro centro tenha sido em Castro Marim, no rio Guadiana.
Nova foma de atuação internacional das seis grandes estatais chinesas para o setor de petróleo
As autoridades chinesas do setor de energia (National Energy Administration e National Development and Reform Comission) determinaram que as seis grandes estatais chinesas para o setor de petróleo (China National Petroleum Corp (CNPC); Sinopec Group; China National Offshore Oil Corp; Sinochem Corp; CITIC Group e Zhenhua Oil.) somente atuem ( e como atuam…) em disputas por novos negócios ( blocos para exploração, aquisições de fornecimento de gás ou óleo, etc) que interessem a mais de uma das seis, através de consórcios entre si. A medida visa reforçar as crescentes ações chinesas – que não têm a menor preocupação com alinhamentos ideológicos – de garantia de fornecimento de óleo e gás.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Quem eram os ricos e os pobres dentre os povos colocados em contato na época das grandes navegações?
A imagem que os europeus têm hoje da África e da Índia é bastante diferente daquela que seus antepassados possuíam nos séculos XV e XVI. Embora, mesmo que sem razão, boa parte dos europeus atuais associe aquelas regiões à pobreza, fome e subdesenvolvimento, há quatro ou cinco séculos, os europeus é que se viam, quando comparados a africanos e indianos, como povos pobres. Esta impressão era consolidada principalmente pelos produtos luxuosos que chegavam quando do retorno das missões européias àqueles locais. Jóias, ouro, sedas, tapetes, pimentas e porcelanas indicavam aos europeus que os pobres eram eles. Este sentimento seria um poderoso fomentador da era das grandes navegações.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Deixando a modéstia de lado... Notícia publicada no O Globo, da semana passada (31/03) foi publicada aqui no Blog em 07/03/10
O post intitulado "As ameaças aos investimentos no Pré-Sal e o apoio do Brasil à política nuclear iraniana", transcrito abaixo, foi publicado aqui no blog em 07/03 e antecipou a notícia que foi capa de O Globo no dia 31/03:
"No momento em que mesmo países como Rússia e China - que travam muito mais negócios com o Irã, do que os cerca de US$1.3 bilhões anuais que o Brasil comercializa ( a maior parte referente a exportações brasileiras de carne e açúcar) - tratam com a devida distância e cautela diplomática os desdobramentos das ações iranianas de enriquecimento de Urânio, claramente com fins belicistas, o governo brasileiro faz esforços diuturnos para se manter do lado errado da calçada em procura de uma casca de banana para escorregar...
Devido às poucas chances de convencimento, por parte do governo americano para uma mudança de rumo na política externa do PT (travestida de política externa brasileira...) - mesmo após a breve visita da Secretaria de Estado, Hillary Clinton ao Brasil - devemos estar preparados para, em um cenário (bem provável...) de agravamento da situação iraniana, sofrermos graves represálias norte-americanas quanto à acesso a financiamentos internacionais para a exploração do pré-sal, bem como em um caso extremo, restrições às empresas americanas de operarem no Brasil, com conseqüências devastadoras para o projeto brasileiro de desenvolvimento de seu potencial petrolífero.
Vale lembrar que – mesmo a contra gosto de Washington - o Brasil iniciou em 2003 operações no Irã, através da Petrobras, para desenvolver um bloco comprado no Mar Cáspio através de um acordo de cerca de US$ 34 milhões. Contudo em novembro do ano passado, a Petrobras anunciou estar encerrando suas operações no Irã, devido a ter chegado à conclusão de inviabilidade técnico-econômica do projeto. Embora a Petrobras insista que a decisão foi puramente econômica e que não houve ingerência política na decisão, podemos perceber que a o encerramento das operações no Irã coincidiu com o aperto das sanções americanas ao regime teocrático iraniano. Ou seja: ainda há esperança de pragmatismo e sanidade na condução dos negócios internacionais do setor energético brasileiro.
Outro ponto importante de atenção, são os recentes movimentos iranianos de associação com bancos de investimentos de países do terceiro mundo alinhados com aquele regime. Quando da visita de Ahmadinejad ao Brasil em maio de 2009, oficiais do governo iraniano tentaram emplacar uma associação entre o Banco Internacional de Desarrollo CA - uma subsidiária do Export Development Bank of Iran (EDBI)- e bancos brasileiros, através de um memorando entendimentos que representava aparentemente medidas para facilitar os negócios entre os dois países. Como tal tipo de acordo pode significar um amplo espectro de atividades, inclusive o estabelecimento de bancos iranianos no Brasil – para escapar das sanções ora em curso (que não passariam despercebidos pela governo americano) - com as conseqüentes sanções internacionais ao governo brasileiro."
"No momento em que mesmo países como Rússia e China - que travam muito mais negócios com o Irã, do que os cerca de US$1.3 bilhões anuais que o Brasil comercializa ( a maior parte referente a exportações brasileiras de carne e açúcar) - tratam com a devida distância e cautela diplomática os desdobramentos das ações iranianas de enriquecimento de Urânio, claramente com fins belicistas, o governo brasileiro faz esforços diuturnos para se manter do lado errado da calçada em procura de uma casca de banana para escorregar...
Devido às poucas chances de convencimento, por parte do governo americano para uma mudança de rumo na política externa do PT (travestida de política externa brasileira...) - mesmo após a breve visita da Secretaria de Estado, Hillary Clinton ao Brasil - devemos estar preparados para, em um cenário (bem provável...) de agravamento da situação iraniana, sofrermos graves represálias norte-americanas quanto à acesso a financiamentos internacionais para a exploração do pré-sal, bem como em um caso extremo, restrições às empresas americanas de operarem no Brasil, com conseqüências devastadoras para o projeto brasileiro de desenvolvimento de seu potencial petrolífero.
Vale lembrar que – mesmo a contra gosto de Washington - o Brasil iniciou em 2003 operações no Irã, através da Petrobras, para desenvolver um bloco comprado no Mar Cáspio através de um acordo de cerca de US$ 34 milhões. Contudo em novembro do ano passado, a Petrobras anunciou estar encerrando suas operações no Irã, devido a ter chegado à conclusão de inviabilidade técnico-econômica do projeto. Embora a Petrobras insista que a decisão foi puramente econômica e que não houve ingerência política na decisão, podemos perceber que a o encerramento das operações no Irã coincidiu com o aperto das sanções americanas ao regime teocrático iraniano. Ou seja: ainda há esperança de pragmatismo e sanidade na condução dos negócios internacionais do setor energético brasileiro.
Outro ponto importante de atenção, são os recentes movimentos iranianos de associação com bancos de investimentos de países do terceiro mundo alinhados com aquele regime. Quando da visita de Ahmadinejad ao Brasil em maio de 2009, oficiais do governo iraniano tentaram emplacar uma associação entre o Banco Internacional de Desarrollo CA - uma subsidiária do Export Development Bank of Iran (EDBI)- e bancos brasileiros, através de um memorando entendimentos que representava aparentemente medidas para facilitar os negócios entre os dois países. Como tal tipo de acordo pode significar um amplo espectro de atividades, inclusive o estabelecimento de bancos iranianos no Brasil – para escapar das sanções ora em curso (que não passariam despercebidos pela governo americano) - com as conseqüentes sanções internacionais ao governo brasileiro."
terça-feira, 6 de abril de 2010
Etanol brasileiro troca de status – para melhor – no mercado norte-americano
Para espanto até dos lobistas do etanol brasileiro, a Agência para a Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos (EPA) mudou a classificação do nosso etanol, passando a considerá-lo como biocombustível avançado. Ao passar a ser enquadrado nesta categoria, o álcool brasileiro fica livre das pesadas sobre-taxas às quais estava sujeito. Enquadram-se nesta categoria, produtos como o álcool produzido a partir de algas marinhas, que embora promissor, durante um bom tempo terá dificuldade em concorrer com o nosso etanol. O governo americano age alinhado com interesses de longo prazo de modificar sua matriz energética para combustíveis mais limpos e menos dependentes dos países exportadores de petróleo; bem como busca garantir – de forma similar ao que hoje é praticado vigorosamente pela China – em bases de longo prazo, combustíveis oriundos de países mais estáveis politicamente
A importância do comércio de especiarias no século XVI era proporcional ao comércio internacional de petróleo nos dias de hoje
Hoje, para a maioria de nós, especiarias podem parecer algo insignificante e bizarro quando imaginado como um sistema de comércio relevante. Pimenta é um item de consumo esporádico e relativamente barato e a menos que você trabalhe com cozinha, certamente considerará cravos e canelas como produtos de pouca utilidade. Muito diferente era a importância desses produtos nos séculos XV e XVI, quando a demanda por especiarias na Europa era enorme e tinha peso em termos de comércio mundial, comparável àquele que atualmente atribuímos ao comércio internacional de petróleo, determinando alianças geopolíticas de alcance global.
Assinar:
Postagens (Atom)